Mapas, eleições e polêmicas (R + ScapeToad + GIS)

Não é de hoje que tenho levantado o problema com representações cartográficas dos resultados eleitorais que utilizam alguma escala de cor considerando apenas a variável binária V ∈ {0;1} (vitória ou derrota); tratei do tema aqui e aqui. Com o recente, e apertado, resultado da eleição presidencial o tema voltou a ficar em voga, com ranço de separatismo e falsas percepções sobre uma suposta divisão territorial dos votos no país.

É importante lembrar que os mapas eleitorais evoluíram muito nos últimos tempos e o simplismo em analisar geograficamente os resultados não pode ser atribuído à falta de informação disponível. Para elencar alguns, o globo.com mostra o resultado eleitoral em cada município e o estadao (Os sete mitos das eleições 2014) elenca alguns dos mitos criados durante e após a eleição, trazendo dados e visualizações que ajudam a refutá-los. Essas fontes já são suficientes para descaracterizar qualquer análise simplista sobre a divisão dos votos no Brasil; além dessas vale citar a imagem do blog do Thomas Conti, que tem circulado bastante pelas redes sociais, e esse outro mapa (não sei a fonte) como boas referências contra a visão do país dividido.

Acho que o conjunto de informação é suficientemente grande para evitar percepções distorcidas da realidade; na verdade, essas percepções só se justificam por algum conceito prévio, enraizado e provavelmente equivocado sobre a estrutura política do país. A esta altura da discussão já deveria estar claro que nenhum representante se elege com apenas uma determinada região ou classe social, muito embora tais agregações sirvam para analisar a disputa e entender como a vitória ocorreu. Para contribuir com o tema, deixo abaixo uma visualização (clique na imagem para acessar o mapa) que mistura a ideia de cartograma (representação em que os polígonos são distorcidos para representar uma de suas características – no caso, o número total de votos válidos) com Dot Density Map:

front_eleicao_2turno

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O mapa reforça a ideia de que é necessário ter votos em todos os estados e regiões e que a representação visual binária (vitória ou derrota de determinado partido em determinado Estado) esconde a complexidade associada às eleições e distorce a informação com viés para os estados com maior área (e não necessariamente com maior número de eleitores).

A construção do mapa foi similar a do post sobre a distribuição dos votos do primeiro turno em São Paulo; a única diferença foi que usei o ScapeToad para criação do cartograma. Como de costume, deixo um formulário abaixo para aqueles que quiserem mais informações sobre a análise acima.

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Distribuição dos votos para presidente em São Paulo – 2010/2014 (R + Mapbox + Dimple.js)

O período eleitoral é sempre um momento frutífero para coleta de dados e visualizações interessantes. Primeiro, porque o assunto desperta curiosidade de quase todo mundo e pelo fato que os determinantes dos fenômenos eleitorais são extremamente complexos. Segundo, pelo fato do TSE disponibilizar os dados de uma maneira bem estruturada e de fácil acesso; o Repositório de Dados Eleitorais reúne as principais estatísticas das últimas eleições tão organizada que é possível automatizar toda a coleta de dados (fiz a automatização no R, mas vou deixar o código para um post mais adiante).

Oportunamente, a disponibilidade dos dados eleitorais coincidiu com um projeto pessoal de produzir um mapa semelhante a esse: Poverty and Race in America, Then and Now. Trata-se de um Dot Density Map que retrata a distribuição espacial de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza e a raça declarada. A parte interessante do mapa é que ele permite comparar épocas distintas arrastando a barra que divide o mapa entre dois momentos.

É uma maneira bastante elegante de disponibilizar informações georreferenciadas e temporais, mas que não necessariamente traz grandes insights sobre os dados visualizados. Feita essa ressalva, utilizei os dados eleitorais e a solução estética para retratar a distribuição de votos no primeiro turno das eleições presidenciais de 2010 e 2014 no município de São Paulo (clique na imagem para acessar o mapa completo):

Eleição presidencial 2010/2014 (SP)

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Paulinho ou Fernandinho?

A Copa do Mundo atrapalhou um pouco as publicações, mas nada como aproveitar o evento para retornar com uma análise bastante simples do último jogo do Brasil. Uma rápida busca no Google revela a importância da discussão sobre o meio-campo da seleção, mais especificamente se devemos manter o Paulinho para os próximos jogos ou se o Fernandinho deve ser o titular.

Passes realizados e percentual de acerto

Passes realizados e percentual de acerto | Brasil vs Camarões – Copa 2014 (o círculo indica o final do passe)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Eleições (SP) + Mapas + R (ggmap)

A distribuição geográfica dos votos de São Paulo é pauta comum dos mais diversos jornais, mobilizando a equipe de infográficos e análise de dados. Por um lado, dados eleitorais são atrativos naturais de análises estatíticas, potencializados pela sua disponibilização organizada e de fácil acesso. Por outro, existe uma fixação por parte das análises em revelar a existência de um correlação entre a distribuição geográfica dos votos com a divisão heterogênea de fatores socioeconômicos em um determinado lugar. No caso de São Paulo, a análise visual dos dados eleitorais invariavelmente resulta em alguma afirmação pouco elaborada de que a periferia vota de determinada maneira em oposição ao centro (aqui, aqui e aqui). Continuar lendo

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Data Scrapping + rCharts + Energia

Dois temas recentes (e bastante correlacionados) devem permear a agenda política, dado o calendário eleitoral: a situação energética do país e o abastecimento de água no Estado de São Paulo. Porém, confesso que é um pouco difícil formar qualquer opinião sobre os temas dado o tom alarmista de quase todos os veículos de comunicação e a quantidade de especialistas dos setores que aparecem nos momentos mais críticos. Afinal, estamos vivendo um período crítico de desabastecimento de água e energia? Em caso afirmativo: i) Qual a principal razão?; ii) As medidas possíveis para evitar essa situação foram tomadas? Já adianto que não vou conseguir responder nenhuma dessas questões. Mas trago aqui alguns dados que tangenciam as questões, começando pelo setor elétrico (tentarei explicar em uma próxima publicação o passo-a-passo para criação desse post). Continuar lendo

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Foreign key [2]

Em sequência à série que criei há quase 1 mês, recomendo a leitura do artigo abaixo que traz uma discussão sobre a relação entre disseminação de ideias/estratégias de argumentação e o display visual das informações.

http://pubs.aeaweb.org/doi/pdfplus/10.1257/jep.28.1.209

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